Quem passa por cá

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Vejam a lista de cientistas que estão no Mentes. UPDATE 07/01/2014

Projecto ENCERRADO Projecto II/2013- vida nocturna no meu jardim.
Vejam AQUI as CONCLUSÕES
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quarta-feira, 5 de junho de 2013

Projecto I/2013 - fungos, fruta, luz e temperatura

NOTAS: Pede a um adulto que te ajude, o fogão é um equipamento perigoso.
TEMPO ESTIMADO: 3 dias

Constatação:
A fruta apodrece na fruteira passado algum tempo.

Perguntas:
A luz influencia a formação de bolores na fruta?
A temperatura influencia a formação de bolores na fruta?

Hipótese:
Talvez a fruta dure mais tempo se estiver num local sem luz e/ou frio.

Experiência:
  • Precisamos de:
  • Frascos com tampa (6)
  • Maçã (2)
  • Faca (1)
  • Tábua de corte (1)
  • Panela (1)
  • Pinça (1)
  • Papel de cozinha (2 ou 3 folhas)
  • Etiquetas autocolantes (6)
  • Marcador (1)
  • Acesso a:
  • Armário ou outro local escuro;
  • Fogão
  • Água 
  • Frigorífico
  • Como fazer:
  • Coloquem água a ferver na panela;
  • Lavem os frascos e as tampas o melhor possível com água corrente;
  • Coloquem a faca, e três dos frascos e as respectivas tampas dentro da panela;
  • Quando ferver deixem por 10 minutos e apaguem o lume;
  • Retirem os frascos e as tampas da água e coloquem-nos sobre o papel de cozinha, virados de cabeça para baixo;
  • Quando os frascos arrefecerem cortem a maçã em quartos e coloquem 1 quarto em cada frasco;
  • Façam o mesmo para os frascos que não foram fervidos;
  • Tapem os frascos e identifiquem-nos com as etiquetas (A- Fervido com luz; A1- Não fervido, com luz; B- Fervido sem luz; B1- Não fervido sem luz; C- Fervido no frigorífico; C1- Não fervido no frigorífico);
  • coloquem os frascos etiquetas A num local com luz indirecta e onde possa ficar durante alguns dias;
  • Coloquem os frascos etiquetados B num local sem luz e onde possa ficar durante alguns dias;
  • Já no caso dos frascos C é necessário encontrar um cantinho no frigorífico onde "não incomode".
  • Regista a hora.

Agora que a experiência está montada esperamos. Enquanto esperas:
  • Arranja um caderno de notas (onde irás registar todos os pormenores deste ensaio);
  • Imprime o ponto "Experiência" e coloca-a no teu caderno;
  • Tem sempre à mão um lápis e uma esferográfica (o primeiro para fazer esboços, o segundo para tirar notas)
  • Faz uma tabela onde possas registar os resultados (esta tabela deve ter uma linha para cada frasco e uma coluna para cada característica que pretendes observar. algumas sugestões: cor, número de "manchas" de bolor...).

Et voilá!
Divirtam-se!
Até já

terça-feira, 4 de junho de 2013

Folhas do meu jardim- Decalques

Agora que chegou o calor, pelo menos no hemisfério norte, podemos brincar e passar mais tempo lá fora, na
natureza, aprendendo sobre o que nos rodeia brincando. É isso que vamos fazer hoje, brincar com folhas e padrões.

Precisamos de:
  • rolo da massa,
  • papel branco,
  • canetas de feltro,
  • tesoura,
  • cola,
  • cartolina (A5),
  • x-acto,
  • régua,
  • folhas de árvores.
Como fazer:
        • Decalque
  1. Dobrem a folha de papel branco ao meio, nós usámos um A4, não usem papel muito grosso, o resultado final não será tão bom;
  2. Recolham 3 ou 4 folhas de uma árvore, quanto mais grossas e texturadas forem melhor resulta, escolham folhas que caibam dentro do papel dobrado;
  3. Coloquem a folha de papel sobre uma superfície lisa e rija, nós escolhemos o chão quente da varanda, o calor ajuda mais à frente;
  4. Coloquem as folhas dentro do papel dobrado e na posição que escolherem;
  5. Fechem a folha cuidadosamente, para as folhas não se moverem do sítio;
  6. Rolem o rolo da massa pela folha de papel branco fechado aí umas 7 vezes, pressionando o rolo com força contra o papel;
  7. Abram a folha de papel cuidadosamente, ATENÇÃO: depois de abrir a folha já não a podem fechar outra vez e repetir a passagem do rolo, se o fizerem o decalque da folha vai aparecer tremido e duplicado, na verdade aparecerá apenas um borrão;
  8. Se escolheram uma superfície quente, como nós, o papel seca quase instantaneamente, caso contrário coloquem-no ao sol a secar.
  9. Descartem a metade do papel que não tem decalque. 
        • Completar  decalque- Esta fase é facultativa.
  1. Com os marcadores acentuem as nervuras das folhas e os contornos.  
        • Finalizar
  1. Com a ajuda da régua e de um marcador meçam e marquem um quadrado na cartolina, do mesmo tamanho daquele que o vosso decalque ocupa;
  2. Com o x-acto cortem o quadrado;
  3. Apliquem cola na cartolina e ajustem a folha com o decalque, não se preocupem se a folha branca ficar de fora, podem sempre cortá-la depois, certifiquem-se que o decalque fica centrado e dentro da janela;
  4. Com os marcadores decorem a restante cartolina, uma pista sobre o que é o quadro é sempre de equacionar.
O que acontece?
Todas as plantas, tal como todos os seres vivos, são constituídas por células que contém no seu interior uma grande percentagem de água, esta água é libertada quando partimos a folha ou a "maceramos".
É esta água que fica no papel quando a pressionamos contra a folha com o rolo da massa.
 
Mas quando seca fica lá a marca...
Sim quando a água evapora fica o decalque da folha no papel, porquê? Porque as folhas tem pigmentos nas suas células, estes pigmentos, que são essenciais na fotossíntese,  podem ser de várias cores e consoante a cor que apresentam têm nomes diferentes, neste caso as folhas eram verdes, e por isso o pigmento predominante era a clorofila. Esta clorofila é responsável pelo decalque verde.


Passos seguintes:
  • Faz um álbum de decalques das folhas que encontras;
  • Utiliza folhas de outras cores, há umas mais verdes que outras, há folhas amarelas, e se quiseres esperar pelo outono terás 1001 cores para experimentar;
  • Usa flores, a melhor maneira é retiras as pétalas, mas podes utilizar flores inteiras;
  • ....
NOTA: Existem flores que, independentemente da cor, originam decalques sempre da mesma cor, a dália é uma dessas flores, o decalque é sempre amarelo.

Et Voilá!
Tragam o jardim para dentro de quatro paredes!

Divirtam-se!

terça-feira, 2 de abril de 2013

Maria Sibylla Merian, ilustradora alemã, apaixonada da natureza



Hoje a comunidade cientifica assinala o aniversário de Maria Sibylla Merian, ilustradora cientifica, entomologista- entomologia, ciência que estuda os insectos- e naturalista alemã.
Não confundir entomologia com etimologia, a primeira estuda os insectos a segunda ocupa-se da história e origem das palavras.



A vida de uma apaixonada
Maria Sibylla nasceu em 1647 em Frankfurt. Desde criança que o mundo da ciência- naquele tempo dificilmente acessível às senhoras- a atraia. Começou por observar borboletas e seguir o seu ciclo de vida- que por sinal achava fascinante- especializando-se, alguns anos mais tarde, na pintura de flores. Aos 13 anos pintava plantas e insectos que ela própria capturava.

Maria tornou-se professora em Nuremberg, Frankfurt e Amsterdão, e quando completou 52 anos, nesta altura já a sua fama como ilustradora cientifica falava por si, iniciou uma expedição aos territórios do Suriname na América do Sul. O objectivo desta viagem estava bem defenido, Maria Merien queria estudar e catalogar as espécies indigenas daquele território no seu habitat natural.


Nesta época, para além das claras dificuldades que uma mulher tinha de enfrentar para se destacar num mundo que até então pertencia aos homens, Maria Sibylla viu-se ainda confrontada com o facto da sua área de interesse ser vista com alguma desconfiança. No Séc XVII os insectos eram vistos como malditos, estavam normalmente associados a episódios de pragas e perda de culturas, e por isso "muito mal cotados".  

Para estabelecermos uma comparação temporal, Darwin nasceu cerca de 150 anos depois, e enfrentou todas as dificuldades que conhecemos, imagine-se agora uma mulher, no Séc XVII, ilustradora cientifica e entomologista. 

Em 1705 é publicado o livro Metamorphosis insectorum Surinamensium ("A metamorfose dos insectos do Suriname), este livro continha representações- ilustrações quase luxuosas- dos ciclos de vida dos insectos desta região que revolucionaram a entomologia.

Maria Sibylla Merian veio a falecer em Amesterdão pouco antes de completar 70 anos de vida.

O legado
Durante a sua carreira, Maria descreveu os ciclos de vida de 186 espécies de insetos. Através de sua pesquisa completamente empírica, ajudou a colocar o estudo dos insetos - entomologia - numa base mais científica.

As suas obras, que foram publicados em alemão, ajudaram a chamar a atenção para a metamorfose na alta sociedade da época mas foram firmemente rejeitadas ela comunidade cientifica, por não terem sido escritas em latim, a língua utilizada na altura para fins científicos. Se a sua obra tivesse sido publicada em latim as evidências que nela constavam teriam trazido grande controvérsia devido à ideia geral, e bem implantada na época, de que os seres vivos aparecia por geração espontânea. Dito de outra forma, o trabalho de observação e ilustração de Maria Sibylla Merien teria sido de valor incalculável para contrapor a teoria da geração espôntanea se tivesse sido publicado em latim. O seu livro Metamorphosis insectorum Surinamensium continha provas que suportavam o discurso de Francisco Redi, em 1668, sobre a falsidade da teoria da geração espontânea. Apesar de todas estas contrariedades o sucesso dos seus livros foi de tal forma, que entre 1665 e 1771 os tiveram 19 edições.

Mesmo assim, ainda que Maria Sibylla Merian não tenha sido imediatamente aceite pelos seus pares, o seu país natal acarinha-a e o seu nome tem vindo a ser reconhecido e valorizado na Alemanha.
Antes da introdução do euro, o seu retrato adornava a nota de 500 marcos alemães.
O seu retrato também apareceu em selos e muitas escolas têm o seu nome.
Em 2005, na Alemanha, um navio moderno de pesquisa foi baptizado com o seu nome.

Os seus pares deram o seu nome a 17 espécies de insectos.


Lado a lado com os melhores
De Março a Setembro de 2008, a  Queen's Gallery no Palácio de Buckinghamem Londres, mostrou aos seus visitantes uma exposição sob o tema Amazing Rare Things – The Art of Natural History in the Age of Discovery- Coisas raras surpreendentes- A arte da história natural na idade das descobertas. Esta exposição colocou lado a lado Maria Sibylla Merian, Leonardo da Vinci, Cassiano dal Pozzo, Wenceslaus Hollar, Alexander Marshal e Mark Catesby.
Sir David Attenborough colaborou na selecção dos trabalhos expostos todos eles pertencentes à colecção real.

Fontes:
http://www.royalcollection.org.uk
http://www.epigenesys.eu 

Et voilá!
Parabéns Maria  Maria Sibylla Merian!

Divirtam-se|

quinta-feira, 7 de março de 2013

Área superficial e de contacto- arco-iris de papel

Esta é uma brincadeira que todos fazemos e/ou fizemos nalguma altura da nossa vida, é muito simples e os irrequietos ficam sempre felizes com o resultado final, é na realidade uma brincadeira muito séria.

Precisamos de:
  • lápis,
  • tesoura,
  • papel,
  • lápis,
  • régua.
Com fazer:  
  1. Com a régua tracem várias linhas rectas paralelas na folha com 2 cm de distância umas das outras;
  2. Pintem as várias secções assim formadas, escolham as vossas cores preferidas e pintem como quiserem, podem inclusivamente pintar padrões;
  3. Dobrem a folha a meio, pelo eixo horizontal como na imagem (2), ficamos assim com um lado aberto e um lado fechado;
  4. Mantenham a folha dobrada e cortem-na pelas linhas, façam-no alternadamente como em (3), primeiro pelo lado aberto, depois pelo lado fechado e novamente pelo da aberto, até ao fim do papel. Reparem que o corte não vai até ao fim, deixem cerca de 1cm;
  5. Agora, que todos os cortes estão feitos (4), coloquem a folha, ainda dobrada em cima da mesa, e com a tesoura cortem o papel na zona em que está dobrado (5), ATENÇÃO: Não cortem o primeiro ponto dobrado nem o ultimo (6).
  6. Abram o papel, o que aconteceu?

A forma do papel altera-se, mas a sua área mantém-se. Na realidade esta demonstração é normalmente usada em sala de aula precisamente para demonstrar isso mesmo: "Apesar da forma do papel ser alterada a sua área superficial continua a mesma". Este é um princípio essencial da matemática.

Mas quando se corta o papel e se transforma um rectângulo num "colar" de ZigZag acontece outra coisa... o perímetro do rectângulo inicial é bastante menor que o perímetro do ZigZig. E este é um princípio básico da biologia.

A natureza tende para o menor dispêndio de energia, espaço e tempo. A selecção natural determina que só os mais fortes e bem adaptados ao meio conseguirão sobreviver, conseguir fazer mais com menos energia, mais em pouco espaço e mais rapidamente é, sem dúvida uma vantagem competitiva.

As rugas aumentam a área da nóz
Onde se pode observar este efeito ZigZag?
Na realidade este podemos observar  este efeito e inúmeras situações tanto no reino animal como no reino vegetal.

No reino animal o exemplo mais flagrante é intestino delgado. O intestino de um adulto mede, em média, cerca de 9m, e consiste num tubo adelgaçado e maleável enrolado sobre si próprio na cavidade abdominal. Imaginem se a natureza não tivesse determinado que ele seria todo enrolado de forma a caber no abdómen? Cada um de nós poderia medir mais de 10 metros, o que seria pelo menos, um desperdício de energia- mais área de corpo mais área para manter quente. Se virmos bem as coisas se o intestino estivesse esticado provavelmente não seriamos como somos, provavelmente tínhamos sido eliminados pela selecção natural, ou não, mas tudo seria diferente.

E se o intestino fosse mais como o estômago? Um saco musculoso oco e cheio de suco intestinal mas que ocupasse a área abdominal do costume? Bem, nesse caso a área do intestino era enormemente menor e por isso seria muito menos eficiente, segregaria menos substâncias, a digestão demorava mais tempo, a absorção era infinitamente mais difícil, muito menos eficiente e o dispêndio de energia seria uma enormidade, na realidade não creio que fosse possível a digestão nos moldes em que a fazemos.
Ou seja: 
Na mesma área abdominal o tubo é muito mais eficiente, pois enrola-se sobre si mesmo e consegue ter um tamanho muito maior.

Vilosidades Intestinais
Para além de enrolar o intestino dentro da cavidade abdominal (o que aumenta brutalmente a área de contacto com os alimentos), a natureza deu-nos mais uns tantos cm2 no interior do intestino ao permitir que aí se desenvolvessem vilosidades. Estas são como rugas, pregas ou dobras, cobrem toda a parede do intestino e têm uma forma semelhante a um dedo.
Ou seja: 
A área externa mantém-se mas a área interna é aumentada pelas vilosidades.

Outro caso flagrante é o cérebro
Reparem na imagem, o cérebro está cheio de "rugas". Essas rugas fazem exactamente a mesma coisa que as vilosidades no intestino, aumentam a área útil do cérebro permitindo que este seja mais pequeno do que seria se fosse uma esfera lisa. Ainda bem que é assim ou seriamos todos irrequietos cabeçudos.


Et voilá!
Menos energia, menos espaço, menos tempo

Divirtam-se!


terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Pinna nobilis- o bivalve com mais de 90cm

P. nobilis
Fez este fim de semana um ano que, ao largo de Itália, se deu um dos acidentes mais marcantes da história recente da navegação de recreio: o naufrágio do Costa Concordia.

O Costa Concordia era um grande cruzeiro com 13 andares e 35,5 metros de largura, levava a bordo mais de 4200 pessoas e quando afundou ceifou mais de 30 vidas. Um ano depois existem muitos processos e várias questões legais a rondar este navio, mas o Mentes Irrequietas deixa essas questões para os tribunais e o que quer partilhar convosco é a descoberta super irrequieta que as operações de resgate deste cruzeiro permitiu. Lá no fundo, ao largo da costa da Tuscania, a equipa de resgate fez uma descoberta fantástica. Junto ao casco do navio (que infelizmente tinha acabado de afundar levando consigo 32 pessoas) existia uma colónia de uma espécie de bivalves gigantes. Imaginem um mexihão... com cerca de 90cm de cumprimento (podendo atingir um máximo de 120cm), Irrequieto uh?
Carl Linnaeus
Esta espécie foi primeiramente descrita por Carl Linnaeus em 1758. Este naturalista sueco, de fama bem conhecida na identificação e classificação de espécies, chamou a este bivalve Pinna nobilis nome comum Pen Shell (em inglês, concha caneta).
Esta espécie é uma espécie endémica do mediterrâneo.

O que é uma espécie endémica?

Uma espécie endémica é aquela, que por razões ambientais, está naturalmente confinada a determinada zona geográfica, mais ou menos extensa.
Significa isto que a Pinna nobilis é uma espécie que, na ausência de qualquer intervenção humana, se encontra apenas nesta zona.

P. nobilis
É possível encontrar espécies endémicas de muitos recantos do planeta, em muitos parques/ jardins zoológicos/ aquários, mas isto só é possível porque o Homem os transportou para lá. O mesmo se passa com os legumes/ fruta e animais cultivados e criados pelo Homem em cativeiro. Hoje graças às estufas e à evolução da agropecuária, é possível plantar fora do tempo e fora da zona geográfica a que as espécies pertencem. Este fenómeno pode causar graves problemas ao nível do solo e do equilíbrio hídrico do terreno, mas essa explicação fica para outro dia.

Voltemos então ao bivalve gigante.

Quando a equipa de resgate procedeu ao reconhecimento do terreno para iniciar as operações de remoção do casco, deu de caras com esta colónia (que pelas imagens eu gostaria de ver de perto). Ora esta espécie é uma espécie protegida pelas normas comunitárias (há mais de 20 anos) o que obrigou à sua realocação, um pouco à semelhança do que se faz quando se constroem barragens.
Costa Concordia

Esta colónia foi descoberta por acaso, à volta do casco do Costa Concordia, numa zona onde, depois de algum tempo na sombra do navio, algumas espécies vegetais morreram e deixaram a descoberto os bivalves. Os trabalhos de realocação destes individuos, cerca de duas dezenas, continuam na Tuscana.  Andrea Belluscio, biólogo marinho e responsável pela equipa de controlo ambiental, explica este procedimento:

A. Belluscio
"Primeiro monitoramos, contamos, verificamos a população e medimos, depois retiramo-los um a um, movendo-os com cuidado no fundo do mar uma vez que as extremidades são a sua parte mais vulnerável, depois, sem nunca os retirar da água são levados até um local seguro, onde não deve haver obras, está protegido e não está acessível a todos.
Vamos deixá-los aí até que o navio seja removido. A nossa ideia, assim que o navio seja removido, é recolocá-los no seu habitat original."

As imagens seguintes dizem respeito à operação de remoção.










Classificação:
Reino- Animalia
Filo- Mollusca
Classe- Bivalvia
Ordem- Pterioida
Família- Pinnidae
Género- Pinna
Espécie- P. nobilis

E assim se cuida da biodiversidade do planeta. A operação para salvar os cerca de 20 exemplares de Pinna Nobilis, alguns com mais de 15 anos, está até agora a ser um sucesso.

Et voilá!

Divirtam-se!

Fontes:
http://www.terra.com.br
http://sicnoticias.sapo.pt/mundo/2013/01/12/aniversario-do-naufragio-do-costa-concordia-assinala-se-este-fim-de-semana
http://pt.euronews.com/2012/11/06/pinna-nobilis-encontrado-a-volta-do-costa-concordia/
http://noticias.terra.com.br/mundo/capitao-do-costa-concordia-ignorou-ordem-de-voltar-a-bordo,a9aaa2f2fb56a310VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html
http://en.wikipedia.org/wiki/Pinna_nobilis
http://www.marinespecies.org/aphia.php?p=taxdetails&id=140780
http://www.universetoday.com/92740/deadly-costa-concordia-shipwreck-captured-in-stunning-image-from-space/
http://www.designboom.com/eng/education/byssus.html
http://www.theparbucklingproject.com/

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

R. Feynman- café e outras considerações

Um famoso matemático norte americano, Richard Feynman, fez um dia uma aposta com um colega. Num dos seus livros Feynman conta que bebia muito café, muito mesmo, era um autêntico viciado na cafeína. Certo dia, um colega, lançou-lhe um desafio: não beber café durante uma mês, desafio prontamente aceite por Feynman. Feynman ganhou a aposta. A respeito deste episódio Feynman relata num dos seus livros que não beber café durante todo aquele tempo provocou um atraso irreparável no conhecimento científico.

Porque é que o Prémio Nobel da Física de 1965 diria tal coisa? 
Porque o café contém cafeína, e esta é um dos estimulantes legais mais consensualmente aceite pela sociedade actual.

O que é a cafeína?
A cafeína é um estimulante sem sabor e presente em diversos produtos de consumo corrente como o chá, o chocolate, as bebidas à base de cola, o guaraná e claro, o café.

A descoberta deste composto é atribuída a Ferdinand Runge. Quando esta substância é consumida ela dispara a secreção das hormonas do stress, como quando o organismo é obrigado a lidar com um perigo repentino.

Efeitos imediatos do consumo de cafeína:

A cafeína proporciona ao organismo alguns efeitos imediatos entre os quais se destacam:
  • A dilatação dos brônquios permitindo uma maior disponibilidade de oxigénio para a oxigenação do cérebro e células em geral;
  • São libertados no sangue gorduras e açucares para compensar o esforço extra do organismo;
  • Os músculos ficam prontos para respostas rápidas;
  • A frequência cardíaca e pressão arterial aumentam, de forma a levar mais nutrientes e oxigénio às células/músculos;
  • A circulação é "desviada" para os músculos, dessa forma há órgãos que recebem menos sangue, como aqueles do sistema digestivo.
Estes efeitos causam uma sensação de bem estar, que é particularmente benéfica quando precisamos de nos manter atentos e focados, como quando estudamos ou exercemos uma profissão em que temos de nos manter particularmente focados em determinada coisa. Os estudos indicam que quando um profissional se depara com o cumprimento de prazos para produzir determinada tarefa o seu consumo de café aumenta.

Mas, o consumo excessivo de cafeína leva o corpo a um constante estado de alerta, como se o cérebro pensasse que o corpo está sempre em risco e esse estado pode ter efeitos muito nefastos.

Efeitos negativos do consumo da cafeína:

Como se costuma dizer, podemos comer e beber de tudo o que a natureza nos coloca à disposição, mas tudo o que se consome em exagero faz mal. Precisamos de consumir sal, é um facto, mas quando este é em excesso faz mal. É importante consumir leite, facto aceite, mas o consumo excessivo de leite faz mal. Não precisamos de consumir chocolate, mas se o consumirmos regradamente não trás qualquer problema, o seu excesso provoca danos à saúde. E podíamos continuar quase indefinidamente. A cafeína não é exceção, o seu consumo é benéfico quando regrado e controlado, mas o excesso de um estimulante deste tipo pode ter consequências gravosas.
  • A cafeína pode causar fraqueza, nervosismo, suores, tremores e palpitações cardíacas, isto porque o seu consumo excessivo provoca alterações na glicémia.;
  • Pode afectar a digestão, porque interfere na produção de ácido clorídrico no estômago e faz diminuir a afluência de sangue a estes órgãos.
  • O consumo excessivo deste estimulante pode causar irritações na pele;
  • Dificulta a fixação de cálcio nos ossos;
  • Afecta o sono, é possível desenvolver tolerância à cafeína mas isso não significa que o sono não seja afectado:
  • Quando o consumo é excessivo pode causar sintomas de abstinência, como qualquer outra droga. Os sintomas mais regulares são: dores de cabeça, fadiga, irritabilidade, dificuldade de concentração e rigidez muscular.
Efeitos benéficos do café:
  • A investigação científica indica que o café é rico em antioxidantes, estes que têm um efeito benéfico em algumas doenças cardiovasculares e alguns tipos de cancro;
  • Como já vimos aumenta a concentração e o estado de alerta;
  • A ingestão crónica desta bebida pode reduzir o risco de demência;
  • Protege o fígado e melhora o desempenho da vesícula;
  • Alguns estudos recentes revelam que três ou mais cafés diários podem prevenir, ou retardar, a doença de Alzheimer.
Voltemos então à nossa questão inicial:

Porque diria Richard Feynman que a abstinência de café causou um atraso irreparável na ciência?

R. Feynman foi um proeminente físico e matemático do séc XX. Este cientista foi considerado pelos seus pares o maior físico do séc XX. Feynman, como já foi dito, era viciado em cafeína, era capaz de produzir uma quantidade enorme (mesmo enorme) de trabalho desde que bebesse café (que pelas razões acima apontadas era altamente benéfico para a sua actividade profissional). O que Feynman quis dizer ao seu colega foi que como não bebeu café durante aquele período, não foi capaz de produzir trabalho com a mesma eficiência (segundo ele nem coisa que se parecesse), e em ciência o trabalho traduz-se em produção conhecimento, e por isso a ciência não avançou tanto quanto poderia ter avançado nesse mês. Claro que há aqui um ego muito grande, não que Feynman achasse que se não fosse ele a produzir conhecimento ninguém o faria, mas porque tinha um enorme sentido de missão e amor pela interrogação.

Notas:
  • Dados de Outubro de 2012 mostram que 27% do café consumido em Portugal é feito no lar, este número tende a aumentar à medida que a crise se acentua.
  • Apesar da perceção geral mostrar que os portugueses consomem muito café, o facto é que neste cantinho à beira mar plantado se consome menos 35% café do que a média europeia. Se cada português em média consome 4,26kg café/ano, cada filandês consome cerca de 10kg café/ano.
  • O Uganda é o segundo maior produtor de café de África, e o décimo a nível mundial, mas 98% do seu café é exportado.
Fontes:
http://cuidadossaude.com/
http://www.delta-cafes.pt/
http://www.ptjornal.com
http://www.academiadocafe.pt
http://www.nobelprize.org
www.jornaldenegocios.pt
http://www.illy.com

Et voilá!
Consumo sim, excessos não!

Divirtam-se!

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Formigas arco iris

O cientista indiano Mohamed Babu ffotografou formigas translucidas a alimentarem-se de soluções coloridas à base de açúcar. Algumas das formigas alimentaram-se de mais do que uma solução, deixando ver cores intermédias nos seus estômago.

Encontrei estas fotografias aqui, e achei-as tão irrequietas e bonitas que tive de partilhar convosco:

Uma boa paleta: algumas das formigas passeiam-se de gota em gota, 
criando novas cores no seu estômago.

As formigas aparentemente preferem as cores mais claras
como os verdes e os amarelos, 
em oposição aos azuis. 

 Anel de cor.
 Os abdomens das formigas mostram a cor do alimento que estiveram a consumir

Et voilá!
A natureza tem destas coisas fascinantes!

Divirtam-se!


segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Peixe aranha- camuflado e venenoso

O peixe aranha é um peixe frequentemente temido pelos banhistas, a sua picada venenosa assusta e afasta da água qualquer banhista irrequieto.

O peixe aranha é muito frequente na costa portuguesa e também nos Açores e em Porto
Santo, aparece normalmente quando a maré está a vazar e enterra-se na areia, a poucos centímetros de profundidade, deixando os olhos e a barbatana de fora. Este peixe não ataca, ao contrário do que muita gente pensa, o que se passa na realidade é que o peixe aranha "pica" os pés dos banhistas (mais raramente as mãos) como forma de defesa à "pisadela".
Este peixe tem uma camuflagem quase perfeita, imita a areia (mimetismo) na perfeição, fazendo com que a sua presença seja muito difícil de detectar, o veneno está alojado nas 3 primeiras barbatanas dorsais, com se pode ver na imagem, e são essas que ficam de fora da areia e picam os banhistas mais desprevenidos.

Apesar de ser muito raro, existem alguns casos de mortalidade por picadela de peixe aranha. Estes relatos estão associados à falta de socorro adequado à vítima, quer por falta de meios quer por ignorância no que respeita à gravidade da picadela, ou ainda, mais raramente, por reacções alérgicas.
Quando alguém é picado por um peixe aranha o que se passa é que os picos das barbatanas do animal "injectam" no nosso organismo determinada quantidade de veneno, quanto mais pequeno (em volume) for o individuo mais perigoso é, apenas por uma questão de concentração de veneno por quilo.

Qualquer pessoa que seja picada por um peixe aranha TEM DE TER ASSISTÊNCIA MÉDICA, não importa a experiência, a idade ou o número de vezes que já foi picado, tem que ser visto por um médico, enfermeiro, nadador salvador, o mais depressa possível.

Se o seu irrequieto for picado por este peixe deve imediatamente recorrer ao nadador salvador, este profissional saberá o que fazer e, mais importante, como fazer.
Caso se encontrem num local onde não seja possível recorrer imediatamente a um profissional adequado convém saber o que fazer, o veneno do peixe aranha é termolabil (degrada-se com o calor) e por isso devemos usar este facto a nosso favor. Ficam aqui alguns conselhos:
  1. Lavem o pé muito bem;
  2. Mergulhem o pé dentro de água quente, o mais quente que a pessoa puder suportar sem sofrer queimaduras, podem também usar um cigarro aceso ao pé do pé, a bibliografia consultada diz que este método é mais eficaz;
  3. Lavem as mãos e espremam o local da picada, mantenham o pé "no banho" por 30 a 90 minutos.
O segundo método consiste em:
  1. Espremer a zona picada;
  2. Mergulhar o pé numa mistura de água, gelo e vinagre.
De qualquer forma o importante é prevenir, se vai para praias onde existem casos de picadelas por peixe aranha, na maré baixa tenha cuidado e calce a família toda com sandálias próprias de andar na água.

Fontes:
http://peixesdesportivosdomundo.blogspot.pt; http://amrf.no.sapo.pt/Praia.pdf

Et voilá!
Ele pica, mas em autodefesa! Previnam-se e bons mergulhos!

Divirtam-se!

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Outono precoce- como se comportam as plantas na falta de luz?

As plantas precisam luz, água e dióxido de carbono para viver. De uma forma simplificada, e sem entrar em grandes pormenores podemos dizer que as folhas são fábricas naturais de alimentos, as plantas retiram do solo, através das raízes, todos os nutrientes e água(H2O) que necessitam para viver, e do ar o dióxido de carbono (CO2). Depois, com a ajuda da luz solar as plantas transformam este dióxido de carbono e a água em Oxigénio (O2) e glicose, num processo químico que denominamos fotossíntese. Sem plantas elas não existiria O2 nem reciclagem de CO2, e a vida não seria possível tal como a conhecemos.

Já tivemos oportunidade de explorar a fotossíntese no Mentes Irrequietas, quando respondemos ao Marco, podem ler tudo aqui.

A proposta de hoje é: "seremos capazes de induzir a planta num outono precoce? Será possível que a folha comece a secar em pleno verão?"

Precisamos de:
  • papel de alumínio, daquele de cozinha,
  • 1 árvore.
Como fazer:
  1. Observem a árvore e escolham uma folha sã, bem verdinha e firmemente presa à árvore;
  2. Cortem um pedaço de folha de alumínio, sensivelmente 3 vezes maior que a vossa folha;
  3. Com cuidado, para não ferir o pecíolo da folha, embrulhem a folha no papel de alumínio;
  4. Esqueçam a folha durante algum tempo, nós deixámos a folha embrulhada durante 1 mês, a natureza faz coisas incríveis mas demora o seu tempo;
  5. Com cuidado desembrulhem a folha.

O que aconteceu?
A folha ficou murcha, a nossa ficou seca em algumas zonas.


Porquê?
Porque sem luz a folha deixou de poder fazer a fotossíntese. reparem que as outras folhas do mesmo galho continuam verdes e viçosas (é sempre importante ter um controlo).

Et voilá!
outono sempre que quisermos! Deixem a folha no galho e vejam se ela recupera, a nossa caiu e secou.

Divirtam-se!

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Estrela do mar com caixas de ovos DIY

As estrelas do mar estão espalhadas por toda a extensão dos oceanos do planeta. Estes animais não têm cérebro nem sangue. O seu sistema nervoso está espalhado pelos seus "braços" e o sangue é na realidade água do mar filtrada. Estes invertebrados carnivoros podem viver até 35 anos.

Hoje vamos utilizar caixas de ovos para fazer estrelas do mar, esta actividade é muito simples de fazer, barata de executar, e dá uma nova cara a materiais que de outra forma seriam lixo.

Precisamos de:
  • caixa de ovos de cartão,
  • tesoura,
  • cola,
  • borracha velha, também podem utilizar missangas,
  • x-acto, ou uma faca com uma lâmina afiada, cuidado!, deve ser o adulto a manusear esta ferramenta,
  • tinta acrílica, nós pintámos a estrela de amarelo mas na realidade podem imaginá-la de outras cores e feitios, afinal existem mais de 2000 espécies de estrelas do mar,
  • pincel,
  • caneta preta,
  • etiqueta autocolante,
  • furador, podem utilizar googly eyes, nós como não tínhamos fizemos com papel.
Como fazer:
  1. Limpem a caixa de pó e outros resíduos que possa ter;
  2. Cortem um dos "ninhos" onde os ovos encaixam, cortem de forma a que o "ninho" fique em forma de copo;
  3. Com cuidado e um pouco de precisão cortem os cantos do copinho, como na imagem, de forma a ficarem com 4 pontas triangulares, dependendo da caixa de ovos este passo pode ser mais ou menos complicado;

  4. Com os dedos forcem a abertura das pontas do cartão até terem uma superficie em forma de estrela;
  5. Pintem a estrela, nós escolhemos o amarelo mas deixem o irrequieto escolher;
  6. Deixem secar por 2 ou 3 h;
  7. Com o x-acto cortem uma "fatia" de borracha com cerca de 0,5cm de largura, deve ser o adulto a fazer isto, cuidado com os dedos;
  8. Desenhem vários circulos na "fatia", cada um deles vai ser uma ventosa do tentáculo;
  9. Destaquem esses circulos, utilizem a o x-acto ou a faca,  deve ser o adulto a fazer isto!, no final deste passo devem ter alguns pequenos cilindros de borracha branca;

  10. Repitam os três últimos passos tantas vezes como as necessárias para ter ventosas suficientes;
  11. Se usarem missangas ignorem os 4 últimos passos;
  12. Colem as "ventosas" no corpo da estrela, atenção: a estrela do mar tem estas estruturas na parte de baixo;
  13. Colem os olhos na parte da frente da estrela, nós usámos um furador e papel autocolante, como quando fizémos a joaninha e a aranha;
  14. Pintem a boca como quiserem.








Et voilá!
Estrelas do mar recicladas e de muitas cores!

Divirtam-se!

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