Quem passa por cá

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Vejam a lista de cientistas que estão no Mentes. UPDATE 07/01/2014

Projecto ENCERRADO Projecto II/2013- vida nocturna no meu jardim.
Vejam AQUI as CONCLUSÕES
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quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Meteorologia, fenómenos e termos relacionados

É impossível não reparar na quantidade de frio, vento e chuva anormal que se tem feito sentir em certas zonas do globo nas últimas semanas. A sopa de letras desta semana leva-nos numa viagem a esses fenómenos que têm tanto de extraordinário como de perigoso.


Arco-íris
É um fenómeno óptico e meteorológico que separa a luz do sol nas cores do espectro

Aurora boreal
 Fenómeno óptico. Brilho observado nos céus noturnos nas regiões polares

Avalanche
Movimentação rápida e violenta de uma massa acumulada de neve em direção a um vale

Borrasca
Temporal com ventania violenta e de pouca duração

Ciclone
Furacão, na terra ou no mar, que faz redemoinho.

Clima
Conjunto dos fenómenos meteorológicos

Depressão
São regiões de baixa pressão atmosférica em torno das quais o vento sopra no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio no hemisfério norte e sopra no sentido do movimento dos ponteiros do relógio no hemisfério sul

Furacão e Tufão
Ventania violenta e repentina; redemoinho de vento. São a mesma coisa, são chamados uma coisa ou outra conforme o local do globo onde ocorrem

Gelo
Estado em que fica a água quando a baixa temperatura lhe dá consistência sólida e aspecto vítreo.

Granizo
Precipitação atmosférica formada por pequenos glóbulos de gelo resultantes da congelação das gotas de água ao atravessarem uma camada de ar frio; chuva de pedra.

Meteorologia 
Estudo dos fenômenos atmosféricos e das suas leis, principalmente com a intenção de prever as variações do tempo.

Miragem
Fenómeno óptico próprio dos países quentes. Podem ser observados tanto em terra como no mar.

Monção
Nome dado aos ventos que sopram principalmente no Sudeste da Ásia, alternativamente do mar para a terra e da terra para o mar, durante muitos meses: a monção do verão é húmida

Nevão
Tempestade de neve

Nevoeiro
Aglomeração de gotículas de água em suspensão no ar

Precipitação
Quantidade de água, neve, granizo, que se deposita no solo em determinado período.

Rajada e Vento
Rajada- Ventania súbita e violenta; Vento- Ar em movimento

Relâmpago
Clarão resultante de descarga elétrica que se produz entre duas nuvens ou entre uma nuvem e a terra.

Sazonalidade
Característico de uma estação do ano

Tempestade
Perturbação atmosférica violenta

Temporal
Grande tempestade

Trovão
Ribombo que acompanha uma descarga elétrica- ou seja, som do relâmpago.

Tsunami
Vaga marinha gigantesca, provocada por erupção vulcânica ou movimento de terra submarinos.

Fontes:
http://www.dicio.com.br
fotos: internet- Se alguma fotografia tiver direitos de autor não hesitem em referir

Et voilá!
Mantenham-se secos e quentes!
Divirtam-se!

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Mary Anning- A maior caçadora de fosseis que jamais se conheceu

Retrato de Mary Anning
A 21 de Maio de 1799 nascia em Lyme Regis, Dorset, Inglaterra, aquela que viria a ser um dos maiores vultos da Paleontologia: Mary Anning.





A infância e juventude de Mary está coberta e envolta em mistério. Tantas são as histórias que se contam que muitas delas poderão nem sequer ser verdade.

Mary Anning era oriunda de uma família pobre, filha de Richard Anning e Mary Moore, contava apenas com um irmão, Joseph, apesar do casal ter tido 10 filhos.
Conta-se, que quando ainda era criança, com cerca de 1 ano, foi atingida, ela e mais três irmãos, por um raio. Os irmãos terão sucumbido ao fatal acidente mas Mary terá visto as suas capacidades cognitivas e intelectuais melhoradas pelo incidente. Conta-se que o raio terá feito de Anning um criança brilhante e observadora.
O pai de Mary Anning, Richard Anning, foi um dos principais responsáveis pela paixão da filha. Richard era carpinteiro mas na sua oficina ensinou-a a limpar e tratar os fosseis que iam encontrando e depois vendiam na sua loja.
Mary tinha apenas 11 anos quando o pai morreu, deixando a família numa posição económica muito delicada. Anning procurou sustento mas o pouco que ganhava tinha de ser complementado por algum rendimento extra. Mary Anning lembrou-se dos ensinamentos do seu pai e de como tinha "muito bom olho para os fosseis", e foi precisamente aí, aos fosseis, que Mary foi buscar algum dinheiro para se sustentar. Os penhascos e toda a zona costeira de Lyme são ricos em belemnites e amonites e, ocasionalmente, répteis e peixes, depositadas pelas marés desde há 200 milhões de anos. esta actividade não era, no entanto, uma tarefa fácil, apesar das ondas do mar e alguns deslizamentos de terra exporem constantemente novos fosseis, as enxurradas de lama, as marés traiçoeiras, as falésias instáveis ​​e as mares implacáveis​​, faziam da actividade de Mary Anning uma actividade bastante dura e perigosa.

Ilustração
Em 1811, conta-se que com a ajuda do irmão, Joseph, Mary, ao fim de alguns dias a "escavar" encontra um esqueleto completo de um animal a que chama crocodilo. O esqueleto acabou por ser vendido e revendido acabando por ir parar ao Museu de Curiosidades Naturais de Londres. Graças ao crocodilo, que mais tarde seria renomeado Ichthyosaurus que significa peixe-lagarto, Mary Anning conseguiu chamar à atenção da comunidade cientifica.

É nesta altura que toda a família de Mary se estabelece como "caçadores de fosseis" mas continuavam muito pobres e quase sem meios de subsistência. É então que, em 1820, um dos clientes da família, o tenente-coronel Thomas James Birch, organizou um leilão de espécimes que lhes tinha comprado. O leilão foi um sucesso, rendeu 400£ que Birch doou à família de Anning, e funcionou como publicidade para o negócio.
Nos anos que se seguiram Mary Anning fez muitas descobertas, algumas de esqueletos completos de animais pré-históricos e que lhe vieram a render muito dinheiro.

Vitral alusivo a Mary Anning- Lyme
Mary anning era uma autodidacta, mas muito inteligente e capaz de captar a atenção de muitos. Anning correspondia-se frequentemente com outros cientistas e recebia a sua visita. Mary Anning veio a falecer aos 47 anos de idade (1846) com cancro da mama em Lyme, cidade de onde, de resto, só saiu uma vez numa rápida visita a Londres.

Antes de morrer Mary Anning viu a sua vida, quase inteiramente dedicada aos fosseis, reconhecida pelos seus pares. Estávamos em 1857 quando a Associação Britânica para o Avanço da Ciência e da Sociedade Geológica de Londres ofereceu a Anning um pagamento anual.

Um dos exemplares de Mary Anning
Muitas das descobertas de Mary Anning e da sua família não lhe são atribuídas. Porquê? Simplesmente porque Mary Anning vendia os seus fosseis a conlecionadores privados e institutos e quando estes doam os espécimes ao museu, apenas o nome do "doador" aparece na "ficha" do exemplar, perdendo-se, dessa forma, o nome de quem fez a descoberta.
Os historiadores têm feito um grande esforço para identificar os fosseis descobertos por Mary Anning e a sua família mas torna-se quase numa missão tão difícil quanto perigosa foi a vida de Anning. Por ser difícil identificar que fosseis foram descobertos por ela, por Mary ser uma jovem mulher numa Inglaterra do início do Sec XIX dominada por homens e, finalmente,  por Mary Anning não ter qualquer instrução de especial relevo, o seu nome foi caindo no esquecimento.

Ilustração de Mary Anning- Ichthyosaurus
Mas existe um facto que nenhum historiador pode negar:

Mary Anning não era só uma colecionadora de fosseis, ela era muito conhecedora, cientificamente falando, dos exemplares que apanhava e vendia, tendo por isso ganho o respeito dos cientistas do seu tempo. As suas descobertas foram extremamente importantes na reconstrução do passado e da história do mundo.

Fontes:
http://www.nhm.ac.uk/nature-online/science-of-natural-history/biographies/mary-anning/
http://www.ucmp.berkeley.edu/history/anning.html
http://www.theguardian.com/science/2010/nov/21/royal-society-lost-women-scientists
http://www.sdsc.edu/ScienceWomen/anning.html

Et voilá!
Uma verdadeira "Indiana Jones"

Divirtam-se!

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Brinquedos com ciência PAP DIY- Helicóptero de papel

Existem uma série de brinquedos utilizam e aplicam conceitos científicos simples, este é um deles. O helicóptero de papel é um destes brinquedos.
Este brinquedo proporciona, não só, algum tempo de brincadeira como desafia os irrequietos a re-construir e adaptar o modelo base para obter melhores resultados.

Precisamos de:
  • papel, várias espessuras;
  • lápis, ou caneta;
  • clips, médios,
  • tesoura, ou x-acto,
  • régua.
Acesso a:
  • impressora, facultativo.

Como fazer:
  1. Se tiverem acesso a uma impressora imprimam a template;
  2. Caso não tenham impressora desenhem a imagem numa folha, com a ajuda da régua, vão ter oportunidade de verificar que as medidas não têm, necessariamente, de ser as que aparecem na template;
  3. Recortem os rectângulos, os picotados são dobras, as linhas cheias são cortes de tesoura;
  4. Sigam as instruções de dobragem do PAP;
  5. Fixem o clip;
  6. Atirem a vossa construção ao ar, também podem subir ao cimo de umas escadas e deixar cair o modelo de papel;
  7. Observa o que acontece.

 O que acontece?
A construção de papel cai, girando sobre si mesma e suavemente, até ao chão.

Porquê?
Na verdade a construção que acabámos de fazer é uma simulação dos rotores de um helicóptero, por isso também pode ser denominado Rotor de papel. Quando o rotor cai, o ar empurra as lâminas para cima, forçando-as a dobrar um pouco para cima. Neste ponto, a resistência do material de que são feitas as lâminas força o restante ar a deslocar-se horizontalmente, e a empurrar o "corpo" do rotor. Observem a imagem, nela podem observar o esquema de forças.

Com duas forças a empurrar cada uma das lâminas para cima, e duas forças a empurrar o corpo do rotor horizontalmente e para lados opostos o brinquedo cai, suavemente e a girar.

O passo seguinte:

Existem inúmeras perguntas que podes fazer a partir deste ponto.
  • Lancem o rotor ao ar, observem para que lado giram as lâminas, é no sentido horário ou anti-horário? Agora dobrem as lâminas no sentido contrário, lancem novamente o brinquedo ao ar, para que lado ele gira?
  • Desenhem com a ajuda da régua rotores idênticos à template mas com relacções diferentes entre os diferentes elementos (lâminas, corpo, cauda).
    • No exemplo que utilizámos as lâminas são do mesmo tamanho da cauda, e se forem mais pequenas? e se forem maiores? Cai mais depressa? Cai mais lentamente? Gira mais devagar?
    • Façam variar a altura do corpo do brinquedo, se for mais pequeno o que acontece? e se for maior?
  • Em vez de um clip, utilizem um objecto mais pesado, podes utilizar o clip para o prender... (por exemplo podes utilizar chaves, de vários tamanhos/pesos). Ou simplesmente utiliza mais do que um clip. Com mais peso, como se comporta o brinquedo?



Estas são apenas algumas das perguntas que podem tentar responder mas o Mentes Irrequietas tem certeza de existem outras perguntas que podem ser feitas.
Utilizem um cronometro, não se esqueçam de registar tudo no  caderno de apontamentos, não variem mais do que um elemento de cada vez e divirtam-se.


Et Voilá!
Brinquedos de papel

Divirtam-se!

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Porque empenam as portas- Estrelas de palitos

Os irrequietos continuam a colaborar com o Mentes e a enviar perguntas que estão sem resposta. Tentamos sempre responder de uma forma prática e com apoio visual, talvez por isso demoremos mais a responder a todas as perguntas irrequietas.

O João tem 7 anos, é de Bragança e quer saber porque é que as portas ficam perras, ou por outras palavras, porque é que as portas empenam.

Este é um truque relativamente simples de executar, e que irá responder à pergunta do João.
Basta ter acesso a alguns palitos e um pouco de água, não é de todo um truque original, mas produz sem dúvida um efeito curioso que ajuda a explicar alguns fenómenos que ocorrem no nosso dia a dia e esse é, sem qualquer dúvida, o objectivo do Mentes Irrequietas®.

Precisamos de:
  • 5 palitos de madeira, também funciona com fósforos,
  • água,
  • corante, facultativo
  • 1 palhinha,
  • 1 prato. 
Como fazer:
Corámos a água de verde
  1. Dobrem os palitos ao meio, não os partam, os palitos devem apenas ser dobrados;
  2. Coloquem os palitos com as pontas dobradas unidas no centro no prato, como na foto (3);
  3. Encham um copo com água;
  4. Adicionem 2 ou 3 gotas de corante à água;
  5. Coloquem a palhinha dentro do copo;
  6. Tapem a palhinha com o dedo indicador e puxem-na para cima, se taparem a palhinha convenientemente a água deverá ficar dentro da palhinha;
  7. Coloquem a palhinha por cima da zona dos palitos dobrados;
  8. Retirem o dedo, isto fará com que a água caia sobre o prato;
  9. Observem.
NOTA: Podem ser precisas várias tentativas até conseguirem alinhar os palitos convenientemente para obterem uma estrela minimamente simétrica, não desistam, a persistência é meio caminho andado para o sucesso.
Porta exterior de madeira

O que acontece?
Os palitos "movem-se" até que as pontas toquem umas nas outras, formando-se uma estrela.

Porquê?
Porque a madeira absorve a água e expande.

Na natureza a madeira e a água coabitam sem qualquer problema. A madeira diz-se um material higroscópico, dito de uma forma bastante simples, a madeira naturalmente "dá e tira" água do meio em que está, de forma a obter um equilíbrio perfeito com o meio. A madeira chega mesmo a absorver quantidades enormes de água, atingindo níveis de humidade enormes e transformando-se assim num óptimo local para o desenvolvimento de fungos decompositores.

Muitas casas têm problemas
com humidade que levam ao
apodrecimento da madeira
A quantidade de humidade da madeira (MC), ou seja a quantidade de água que um determinado pedaço de madeira tem é quantificável de forma percentual, por exemplo, dizer que o nível de humidade de uma madeira é de 200% significa que ela tem o dobro do seu peso em água, ou seja, se pesar 1kg tem 2kg de água, o que lhe confere um peso final de 3kg.
Uma madeira com 19% MC é considerada uma madeira seca, o valor de equilíbrio entre a água e a madeira é cerca de 28%MC, neste valor as células da madeira têm dentro delas o máximo de água que podem carregar sem prejudicar a sua forma e o seu metabolismo.

Mas como nos pode ajudar isto no dia a dia? todos nós já vimos portas que empenam, principalmente no Inverno. 

Ora, porque é que isto acontece?

Soalho com humidade
Porque as portas absorvem humidade do exterior, principalmente no Inverno, e o nível de humidade, que deveria estar nos cerca de 28%MC, aumenta provocando a expansão da porta.

Regra geral as portas de exterior são sujeitas a tratamentos especiais de protecção contra a absorção de água, mas estes tratamentos, com o passar dos anos, perdem a sua eficácia e se não forem reforçados de tempos a tempos as portas acabam por empenar.
Lixar a porta é uma boa solução! Eventualmente resolve o problema naquele Inverno, quando chegar a Primavera a porta seca e o seu nível de humidade volta aos 28%, ou
Os fungos conseguem impressionar
com a sua beleza, mas
não os queremos dentro de portas
menos, e a porta ficará com folga, originando, entre outras coisas, a entrada de insectos indesejáveis e de correntes de ar.
Se a tua porta está empenada no Inverno o melhor será aproveitar o Verão e tratá-la convenientemente para evitar problemas no Inverno.

Este fenómeno também é visível quando construímos uma jangada, em que a madeira, depois de estar dentro de água incha ligeiramente.

A resposta ao João
João, as portas "emperram" ou empenam, porque absorvem a água do meio que as rodeia, Bragança tem, sem dúvida, um Inverno rigoroso e um Verão também ele extremo, o que faz com que a madeira atinja valores de humidade extremos, ou seja, como níveis de MC muito baixos e muito altos, por outras palavras os níveis de humidade na madeira têm grandes amplitudes, se ela não for tratada, claro.

Fontes:
http://www.globalwood.org/tech/tech_moisture.htm

Et voilá!
O que os palitos ensinam!

Divirtam-se!

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Rosalind Franklin- O génio que a história escondeu

Rosalind Franklin
Existem muitos nomes que a história engole, uns por vergonha, outros por engano e ainda outros por preconceito. O caso de Rosalind Franklin é, de facto, um caso flagrante deste fenómeno, esta inglesa londrina, doutorada em Química pela Universidade de Cambridge foi a chave para o trabalho considerado extraordinário, pela opinião pública, de Francis Crick e James Watson sobre a estrutura molecular do DNA, trabalho este que levou estes dois cientistas a serem distinguidos com o Prémio Nobel da Fisiologia ou Medicina em 1962.
 
BI
Rosalind Elsie Franklin, ou como ficou conhecida aos olhos do mundo- Rosalind Franklin, nasceu em Notting Hill em Londres a 25 de Julho de 1920 vindo a falecer ainda nova, com apenas 37 anos, vítima de um cancro nos ovários, a 16 de Abril de 1958.
Rosalind começou a revelar as suas apetências para a físico-química ainda muito jovem, com apenas 15 anos já sabia o que queria fazer na sua vida. Rosalind formou-se e doutorou-se em físico-química pela Universidade de Cambridge em 1945.

Percurso
Maurice Wilkins
Nos curtos 13 anos que marcaram a sua vida profissional, desde o seu doutoramento até à sua morte, Franklin ofereceu imenso à ciência sem nunca ter sido reconhecida convenientemente pelos seus pares, vendo mesmo as suas descobertas serem, segundo alguns autores, "entregues de bandeja" a colegas seus.

Nos três anos que se seguiram à sua saída de Cambridge (1947-1950), Rosalind Franklin esteve em Paris no Laboratoire Central des Services Chimiques de L'Etat, aqui aprendeu técnicas de difracção de raios- X.

Em 1951, rumou de novo a Londres como investigadora associada no laboratório de John Randall do Kings College. Esta mudança de ocupação iria mudar a história da ciência para sempre.

Kings College
Francis Crick
Rosalind Franklin, tal como as mulheres do seu tempo, foi relegada sempre para segundo plano no que à produção de conhecimento diz respeito. Foi no Kings College que esta mente brilhante e talentosa cientista conheceu Maurice Wilkins. Este neozelandês chefiava um grupo de investigação diferente daquele em que Rosalind estava integrada. Nesta altura nenhum deles tinha como objecto de estudo o DNA mas ambos mantinham e manifestavam o interesse pelo tema.

Num dado momento, em que Wilkins se encontrava ausente, Randall, o chefe do laboratório, atribui a Franklin o projecto do DNA, ora esta decisão surpreendeu Wilkins que quando regressou confundiu o papel da cientista no projecto, tratando-a como uma mera assistente quando na realidade era seu par. Este episódio causou desde logo mal estar e criou um clima de tensão e competição, clima este que nunca viria a ser desanuviado até à data de morte da cientista, em 1958.
James Watson
É importante situar historicamente este episódio. Quando Rosalind Franklin chega ao Kings College o clima que as mulheres viviam era de suspeita e exclusão, exemplo disso é que apenas os homens estavam autorizados nas salas de jantar e nos pubs da Universidade.

O momento chave
Apesar de todas as contrariedades e do clima que se vivia entre Franklin e Wilkins, a primeira persistiu no seu projecto.
Este projecto consistia em utilizar técnicas de difracção de Raio-X em fibras de DNA. Estes estudos levaram a uma descoberta fantástica, a de que havia duas formas de DNA, uma forma seca "A" e uma forma molhada "B". As suas fotografias de raios- X de DNA foram reconhecidas como "as fotografias de raios- X mais belas alguma vez tiradas a qualquer substância". Uma das fotografias tiradas à forma "B" ficou conhecida como fotografia "51.
Modelo de dupla hélice
de Watson e Crick
Algures entre 1951 e 1953 Franklin é traída pelo seu par e colega Wilkins. Sabe-se que o neozelandês mostrou a Watson a fotografia 51 da colega, quando viu a fotografia a solução para o problema da estrutura molecular de DNA tornou-se evidente para este homem da ciência e, sem perder tempo, de imediato submeteu um artigo à revista Nature. Todo o trabalho de Rosalind Franklin foi assim engolido pelo impacto fenomenal da "descoberta" de Watson.

A polémica
A discussão sobre o papel da cientista londrina na descoberta da estrutura molecular do DNA ainda continua nos dias de hoje, a única coisa que sabemos de certeza é que ela teve um papel chave neste processo.

Em 2002 Brenda Maddox escreve sobre a reacção de Watson ao ver a fotografia 51, no seu livro intitulado "Rosalind Franklin: The Dark Lady of DNA.": "O meu queixo caiu e o meu coração começou a correr".
Fotografia 51
Aquando da publicação do artigo na revista Nature, Watson e Crick incluíram uma chamada em rodapé ao trabalho de Franklin e Wilkins, referindo que tinham sido inspirados pelo trabalho não publicado destes cientistas, quando na realidade utilizaram a fotografia de Rosalind como base para as suas conclusões sem nunca terem consultado a cientista sobre a sua utilização.

Mais tarde o trabalho de Wilkins e Franklin foi publicado na mesma revista, graças ao acordo a que Randall e o director do laboratório de Cambridge chegaram, no entanto, estes artigos foram vistos como mero suporte ao trabalho de Watson e Crick

Em 1953 Rosalind Franklin deixou o laboratório de Randall e foi trabalhar para o Birkbeck College, onde se dedicou ao estudo da estrutura do RNA e do vírus do tabaco. Nos 5 anos seguintes publicou 17 artigos sobre vírus e, juntamente com a sua equipa lançou as fundações da virologia.

Escultura de Charles Jencks em Cambridge

Rosalind Franklin veio a morrer em 1958, 5 anos depois da publicação do artigo de Watson e 5 anos antes da atribuição do Prémio Nobel a Francis Crick, James Watson e Maurice Wilkins, sem saber que a sua fotografia tinha desempenhado um papel absolutamente indispensável na descoberta pela qual, na opinião de alguns, os seus carrascos, foram distinguidos com o Prémio mais apetecível da ciência- O Prémio Nobel.

Fontes:
http://www.nobelprize.org
http://www.famousscientists.org/
http://www.biography.com
http://www1.folha.uol.com.br
http://www.sciencemuseum.org.uk

Et voilá!
A história esconde histórias, e a ciência não é diferente

Divirtam-se!

Dê uma olhadela

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