Quem passa por cá

.

.
Vejam a lista de cientistas que estão no Mentes. UPDATE 07/01/2014

Projecto ENCERRADO Projecto II/2013- vida nocturna no meu jardim.
Vejam AQUI as CONCLUSÕES
Mostrar mensagens com a etiqueta mitos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta mitos. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Dia de Reis- A lenda e o mito dos três Magos

Conta a história que Três Reis Magos, vindos do Oriente, terão seguido uma estrela, a Estrela de Belém, até à gruta onde nasceu Jesus.

Melchior, Gaspar e Baltazar, (assim eram os seus nomes), perguntaram ao rei Herodes pelo rei que teria nascido em Belém, Herodes, indignado por existir um outro Rei para além dele, pede aos Magos para o avisarem quando o encontrarem, para que ele mesmo possa ir prestar-lhe homenagem.
Conta a história que Melchior, Gaspar e Baltazar acabam por encontrar o Menino Jesus, mas nunca terão avisado o Rei Herodes. Ainda na manjedoura Jesus recebe, dos Reis Magos, ouro, incenso e mirra.

O que é verdade nesta história? Não se sabe.
O que pode ser provado nesta história? Quase nada.
Apenas num dos Evangelho (Mateus) se refere à vinda de "Magos" (Vieram magos das regiões orientais de Jerusalém). Não há referência a nomes, nem a número, apenas se podem encontrar descritos os  presentes oferecidos- ouro, incenso e mirra-, e o sonho que os alertou para não avisarem Herodes da localização do Menino.

Com o passar dos anos e com a repetição "boca a boca" da história ela foi crescendo e alterando os seus contornos, aos poucos os Magos ganharam número, cor, nacionalidade e nomes próprios. Pensa-se que o número de três terá aparecido devido ao número de presentes oferecidos. A narrativa bíblica também não nos diz que são Reis, esta denominação aparece, segundo os historiadores no Sec. III, já as características físicas, nacionalidades e nomes surgiram mais tarde, cerca de 800 anos depois do acontecimento.

A lenda do Bolo Rei
Esta é uma história com muitas histórias. Existem várias explicações para a existência do Bolo Rei.
Uma delas, a mais conhecida, diz que o Bolo Rei simboliza os três presentes oferecidos ao Menino pelos Reis Magos. A côdea, tostada e brilhante, simboliza o Ouro, asa frutas cristalizadas simboliza a mirra e o aroma do bolo o incenso.
Já a fava tem uma explicação um pouco mais elaborada.
Conta a lenda que os Três Reis Magos, ao saberem do nascimento do novo Rei terão discutido sobre quem primeiro lhe prestaria homenagem. Numa tentativa de acabar com a discussão, um padeiro terá confecionado um bolo. Nesse bolo o padeiro terá escondido uma fava. O jogo seria simples, o Rei Mago a quem calhasse a fatia de bolo contendo a fava seria o primeiro a entregar o presente. Conta a lenda que a discussão ficou sanada, no entanto não se sabe quem terá sido o primeiro a entregar o presente, se Melchior, se Gaspar ou se Baltazar.

Mas historicamente a fava tem outro significado. Segundo os historiadores, havia um jogo de crianças que consistia em escolher entre elas um rei, este rei era escolhido "à sorte" utilizando favas. Mais tarde os adultos adoptaram também este costume. Os romanos durante as festas Saturnais utilizavam a fava para tirar "à sorte" o Rei da Festa, também chamado o Rei da Fava. As festas Saturnais eram festas romanas em honra de Saturno e que ocorriam na segunda metade do mês de Dezembro.
O que aconteceu a seguir foi uma colagem da Igreja Católica a estes costumes e tradições pagãs, como aliás já vimos acontecer noutras festas como o Dia de todos os Santos ou a Páscoa.
Como as festas romanas ocorriam em Dezembro, a Igreja católica decidiu relaciona-lo com a Natividade e aproveitar a tradição da fava no dia de Reis, 6 de Janeiro, colocando-a dentro de um bolo, nascendo assim a lenda do Bolo Rei.

Se quiserem saber mais sobre tradições de dia de Reis e histórias semelhantes, podem consultar aqui outro post Irrequieto.

Fontes:
http://virtualiaomanifesto.blogspot.pt/2008/07/reis-magos-do-evangelho-lenda.html
http://www.dn.pt/inicio/interior.aspx?content_id=633068 

Et voilá!
Pena que em Portugal já não se pode colocar a fava no bolo.

Divirtam-se! 

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

S. Martinho de Tours, o primeiro dos Santo não Mártires da Igreja Católica




Hoje é dia de S. Martinho, comem-se castanhas, bebe-se vinho novo, saltam-se fogueiras e todas as crianças pintam imagens de um guerreiro romano a cavalo ou de castanhas. Mas quem foi realmente este guerreiro a quem devemos, segundo a lenda, 3 dias solarengos no meio de dias invernosos?


Cronologia
S. Martinho de Tours nasceu no ano de 316, na Panónia (região da actual Hungria) e veio a falecer em Candes, perto de Tours.

S. Martinho era filho de um oficial Romano e por isso no ano de 330 junta-se ao exército onde pratica o ideal cristão.

Segundo os historiadores, após 7 anos de ter ingressado no exército dá-se o episódio da partilha da capa com os mendigos. S. Martinho abandona o exército e junta-se a Santo Hilário, partindo de seguida para Itália, com o objectivo de se juntar à família e evangelizar os seus conterrâneos.

Pouco tempo depois é expulso da sua terra (por causa do Arianismo) e isola-se numa Ilha do Mar Tirreno- Galinária. No ano de 361 regressa a Poitiers com S. Hilário e é fundada uma comunidade monástica (a primeira da Gália) a 6 km de Poitiers.
A saber:  "O Arianismo é uma heresia cristã fundada no século IV por Ario, um presbítero de Alexandria, no Egipto. A sua doutrina baseava-se essencialmente no princípio da negação de Cristo como divindade."

S. Martinho torna-se Bispo de Tours em 371, cargo que ocupará cerca de 26 anos até à sua morte.
Morre em Candes perto de Tours em 397 e vai a enterrar no dia 11 de Novembro na cidade de que fora Bispo durante mais de um quarto de século.

São Martinho é o primeiro dos Santos não Mártires da Igreja Católica.

Padroeiro de inúmeras causas e cidades
São Martinho é o Santo padroeiro dos alfaiates, dos cavaleiros, dos pedintes, da restauração (hotéis, pensões, restaurantes), dos produtores de vinho e dos alcoólicos recuperados, dos soldados... dos cavalos, dos gansos, e orago de uma série infindável de localidades de Beli Benastir, na Croácia, a Buenos Aires, na Argentina passando por inúmeros sítios de Norte a Sul de Portugal.

Mas atenção, nem todas as cidades de Portugal, principalmente os "S. Martinho" no Norte do País, devem o seu nome a S. Martinho de Tours. Existem outros dois S. Martinho na lista de Santos da Igreja católica que podem estar na origem destes nomes, a saber:
  • S. Martinho de Dume e de Braga- bispo,  morreu em 579.
  • São Martinho de Soure (†1146) - cónego da sé de Braga martirizado pelos muçulmanos durante a Reconquista. Morreu em 1146 e é também chamado "Martinho Árias".
Celebração do Dia de S. Martinho
Acerca da altura do ano em que é celebrado o Dia de S. Martinho, escreve o  Ernesto Veiga de Oliveira (1910-1990)-conceituado etnólogo:
«O S. Martinho, como o dia de Todos os Santos, é também uma ocasião de magustos, o que parece relacioná-lo originariamente com o culto dos mortos (como as celebrações de Todos os Santos e Fiéis Defuntos). Mas ele é hoje sobretudo a festa do vinho, a data em que se inaugura o vinho novo, se atestam as pipas, celebrada em muitas partes com procissões de bêbados de licenciosidade autorizada, parodiando cortejos religiosos em versão báquica, que entram nas adegas, bebem e brincam livremente e são a glorificação das figuras destacadas da bebedice local constituída em burlescas irmandades. Por vezes uma dos homens, outra das mulheres, em alguns casos a celebração fracciona-se em dois dias: o de S. Martinho para os homens e o de Santa Bebiana para as mulheres (Beira Baixa). As pessoas dão aos festeiros. vinho e castanhas. O S. Martinho é também ocasião de matança de porco.» (in As Festas. Passeio pelo calendário, Fundação Calouste Gulbenkian, 1987)

Lenda de S. Martinho
Há muitas histórias que se contam de S. Martinho, ao que parece este soldado, que depois se tornou Bispo, terá operado inúmeros milagres durante a sua vida.

Em França, este verão de S. Martinho
é associado a uma história diferente
A história mais conhecida é aquela em que num dia de tempestade e muito frio, um soldado romano, de nome Martinho viajava entre Itália e França e cruzou-se com um mendigo cheio de fome e frio. Este soldado, que viajava comodamente sentado no seu cavalo, e bem quente pela roupa que vestia era já conhecido pela sua generosidade. Vendo o mendigo cheio de frio e quase nu, retirou a capa dos ombros cortou-a ao meio com a espada e cobriu o homem com uma das partes. Um pouco mais à frente encontrou um segundo mendigo a quem deu a segunda metade da capa e, sem capa, Martinho continuou a sua viagem debaixo de chuva, vento e frio. Pouco depois, como por milagre, o céu abriu, o Sol brilhou e a tempestade passou. Este bom tempo durou três dias. Desde aí, por esta altura, todos os anos, o céu abre-se, as tempestades vão embora e o Sol instala-se, surgindo um "verão" fora de época, este período é vulgarmente chamado "verão de S. Martinho".

Em França, este verão de S. Martinho é associado a uma história diferente, conta-se que as plantas floriram, as árvores ficaram de novo verdes e os pássaros começaram a cantar, à passagem do corpo do Santo, de Candes (onde faleceu) para Tours (onde foi enterrado).

Et voilá!
No dia de S. Martinho, come-se castanhas e bebe-se vinho! Boas castanhas
Divirtam-se!

fontes:
http://www.junior.te.pt
http://www.infopedia.pt
http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A3o_Martinho
http://smartinho.blogspot.pt

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Sopa de Letras Páscoa- História, Origem, Mitos e Crenças

Ocorre sempre entre o dia 31 de Março e o dia 25 de Abril e marca o início da estação das colheitas. Os povos pagãos associavam-na ao festival da fertilidade, mais tarde os cristãos "colaram" as suas tradições às dos pagãos e nasceram novas tradições que resultam de uma mescla entre crenças.




  • Amêndoas-É o doce mais consumido e oferecido em Portugal na Páscoa. São geralmente feitas de amêndoas com cobertura de chocolate, açúcar ou mel, embora haja dezenas de variações deste doce, com tendência para aumentar, pois uma variação bem aceite pode ser uma vantagem comercial enorme.
  • Chocolate- a tradição dos ovos de chocolate na Páscoa nasceu na França, já na era moderna
  • Coelho- É sinónimo de fertilidade e está ligado à Páscoa por esta festa se inicialmente uma celebração da fertilidade e das colheitas
  • Compasso- O compasso Pascal é uma tradição Cristã e consiste na visita do Pároco à residência de quem o queira receber. O objectivo desta visita é abençoar a casa.
  • Cristão- É toda e qualquer pessoa que professa o cristianismo.
  • Equinócio- No dia em que ocorre o equinócio o dia e a noite têm exactamente a mesma duração.
  • Folar- O Folar é um doce típico da época Pascal em Portugal, também é denominado de Pão Pascal.
  • Galinha- Ao contrário do que a Páscoa possa sugerir com os seus símbolos... não é o coelho que "põe" os ovos, é a galinha :).
  • Madrinha- No domingo de Ramos, domingo que antecede o domingo de Páscoa, e tradição os afilhados darem prendas às madrinhas e padrinhos, no domingo de Páscoa a posição inverte-se e os afilhados recebem as suas "amêndoas".
  • Nicéia- Concílio de Nicéia, concilio onde foi decidida a data da Páscoa e outras celebrações que hoje estão profundamente enraizadas na população ocidental. Teve lugar em 325 dc 
  • Ostern- A deusa da fertilidade entre os nórdicos.
  • Ovos- o símbolo da vida para os germânicos e para os eslavos, o ovo simboliza a origem da vida. Representa  Ostern, a deusa da fertilidade
  • Padrinho- No domingo de Ramos, domingo que antecede o domingo de Páscoa, e tradição os afilhados darem prendas às madrinhas e padrinhos, no domingo de Páscoa a posição inverte-se e os afilhados recebem as suas "amêndoas".
  • Pão-de-ló- Algumas regiões do país têm sempre um pão-de-ló na sua nesta nesta época do ano
  • Páscoa- Festa cristã que celebra a morte e a ressurreição de Jesus Cristo, Filho de Deus
  • Pesash- Significa passagem e é o nome dado à Páscoa pelos hebreus.
  • Primavera- Segunda estação do ano. Estação do ano em que as flores florescem, os dias ficam maiores que as noites, o tempo quente regressa. No hemisfério norte começa por volta do dia 20 de Março, No hemisfério sul a estação começa por volta do dia 22 de Setembro..
  • Quaresma- Período de 40 dias que antecede Páscoa cristã. Neste período os que professam a fé cristã preparam-se para a morte e ressurreição do Senhor pelo jejum, abstinência, caridade e orações.
E agora, para os mais distraídos, as soluções

Et voilá!
Toca de procurar!

Divirtam-se!

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Páscoa- A origem da festa


Estamos em tempo de Páscoa, atravessamos aquilo que os cristãos chamam de Quaresma, de modo simples: período de 40 dias em que Cristo se isolou no deserto para rezar. Mas será que esta época sempre foi assim? E como era antes de Cristo morrer?

Festa pagã
Tal como muitas outras festas que hoje conhecemos por serem festas religiosas, a Páscoa no início era uma festa pagã.
A Páscoa era a festa que celebrava a Primavera, a passagem do Inverno para a Primavera, a passagem do tempo escuro para o tempo de luz, esta festa era por isso chamada Pesach entre os hebreus, que significa passagem.
As provas históricas apontam para que a Páscoa seja festejada pelos europeus há milhares de anos, inclusivamente pelos gregos. Este povo festejava esta passagem na primeira Lua cheia da "época das flores". Esta data era de extrema importância pois marcava a chegada do calor e o fim da escasses de alimentos.
Desta forma nos povos não cristãos, chamados pagãos, esta festa assumia uma posição invulgarmente importante e estava relacionada com rituais de fertilidade, à produtividade da terra e os ciclos de plantação e colheita. Na Alemanha o nome desta festa deriva de Ostern, nos países de língua inglesa a festa é chamada de Easter, tanto um nome como o outro têm origem no nome da antiga deusa germânica da fertilidade, Eostre ou Ostara.

Estratégia cristã para cristianizar os povos nórdicos
Quando os cristãos quiseram cristianizar estes povos fizeram-se associar aos seus mitos e histórias aumentando assim a probabilidade de serem aceites nas populações. Há várias histórias dessas e muito se conta acerca dessas "colagens", alguns desses casos já foram falados aqui no Mentes Irrequietas, com a  árvore de Natal e o S. Bonifácio, e o Halloween e o Dia de todos os Santos...

Rituais e costumes pagãos
No caso da Páscoa não foi diferente, aos poucos os cristãos tentaram eliminar os hábitos e costumes pagãos, em alguns dos casos não conseguiram e esses costumes perduram até aos nossos dias. Dois dos maiores e mais representativos símbolos da Páscoa são, sem sombra de dúvida, pagãos: os ovos e o coelho.
Os ovos tornaram-se um simbolo da Páscoa por serem o símbolo da vida para os germânicos e para os eslavos, o ovo simboliza a origem da vida, e por isso esse símbolo representava  Ostern, a deusa da fertilidade. Antigamente estes ovos eram ovos cozidos e pintados com temas locais, hoje, e muito graças à influência da França, estes ovos são de chocolate.
Já o coelho tem uma explicação muito mais simples. O coelho é um  animal conhecido pela sua grande capacidade de reprodução, e por isso representa a fertilidade.

Entre os Judeus e os Cristãos
Entre os Judeus esta data marca exôdo do povo do Egipto.
Entre os cristãos a Páscoa é apenas a morte e ressurreição de Cristo, e isto confirma o que falámos atrás, a Páscoa é uma festa de "passagem" da vida terrena para a vida eterna, que "cola" na perfeição com os rituais pagãos.
Segundo a biblia Jesus Cristo morreu durante a Páscoa Judaica.

Quando é a Páscoa?
Só 325 anos depois da data que comummente aceitamos como o ano 0 (nascimento de Cristo) é que foi definida a data da Páscoa enquanto festa Cristã.
Foi no Concílio de Nicéia que a data da Páscoa foi definida, além da Páscoa este Concílio definiu uma serie de datas e dogmas cristãos.
A festa tinha de ter lugar no Domingo seguinte à Lua cheia posterior ao Equinócio de Primavera no hemisfério Norte. É por esta razão que esta é uma festa "móvel". Esse Domingo "cai" sempre entre o dia 31 de Março e o dia 25 de Abril. Por ter como referência a Lua cheia e o Equinócio de Primavera no hemisfério Norte é natural que estando no hemisfério Sul algumas destas referências percam o significado, até porque em Março não é Primavera no hemisfério Sul.

Et voilá!
Mais um exemplo de como uma festa pagã se transforma numa festa cristã!

Divirtam-se!

Fontes:
http://www.cataniastudio.com
http://www.rodrigotrespach.com
http://www.allaboutjesuschrist.org

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

S. Valentim, padroeiro dos namorados

Hoje é dia dos namorados!

Pelo menos em parte do globo.

O dia dos namorados é comemorado a 14 de Fevereiro, o dia de S. Valentim, em países como os EUA, a Coreia do Sul e grande parte dos países europeus. O Brasil comemora este dia na véspera do dia de S. António, 12 de Junho, o Santo casamenteiro.
S. Valentim é o padroeiro dos namorados mas também dos epilépticos.

Quem foi S. Valentim ?

Valentim foi um frade cristão que viveu em Roma na época do Imperador Claúdio II. Nessa altura, o 14 de fevereiro era feriado, em louvor a Juno. Juno era a rainha dos deuses, era adorada pelo povo romano e tida como a deusa das mulheres e do casamento. Valentim morreu decapitado a 14 de fevereiro de 270 da era cristã, algumas fontes referem esta data como 14 de Fevereiro de 268.

No ano de 496 d.c., o Papa Gelásio I decidiu instituir o dia 14 como o dia de São Valentim, para que a celebração cristã absorvesse o paganismo da data.

Até ao ano de 1969 a Igreja católica aceitava este dia como o dia de S. Valentim, ano a partir do qual a Igreja considerou que as origens desta celebração não eram claras. O dia 14 de fevereiro podia referir-se a Juno, ou a Valentim, ou mesmo a um segundo Valenim, também frade.

O festival de Lupercalia
Depois do dia em honra de Juno começava a festa de Lupercalia. Esta festa era um festival onde os rapazes e as raparigas tinham oportunidade de conhecer o seu par para o festival por um esquema de sorteio. (Na véspera da Lupercalia as raparigas colocavam o seu nome dentro de um recipiente e no dia 15 os rapazes retiravam um nome). Deste sorteio resultava, muitas vezes, casamento.


Reza a lenda,
a história que foi passada de boca em boca, e que contém tanto de real como de fantasia, que nesse tempo, Cláudio II mantinha Roma constantemente envolvida em guerras e conflitos. Com o prolongar do tempo de guerra e a escassez do tempo de paz, o imperador começou a ter grande dificuldade em encontrar soldados voluntários para as suas tropas. Ora, este governante, que afinal acreditava na paz e no amor, acreditava que os seus conterrâneos não queriam ir para a guerra para poupar as suas famílias ao desgosto da sua ausência, ou mesmo da sua morte e por isso tratou de impor a proibição de casamentos. Para tal ditou por decreto o cancelamento todos os casamentos marcados e apalavrados em Roma enquanto Cláudio fosse imperador.

São Valentim, que nesse tempo era um Frade cristão, resolveu continuar a casar os casais enamorados. Estas celebrações eram feitas no maior secretismo e longe dos olhares do Imperador. Inevitavelmente esta notícia chegou aos ouvidos de Claudio II que o mandou prender e torturar e mais tarde matar.

Outra lenda diz que Valentim era um frade cristão que se recusou a converter à religião imposta por Cláudio II e que por isso acabou preso, torturado e morto. Contudo, antes de ser morto, teve a oportunidade de devolver a visão a uma jovem, a filha do juiz Astério, por quem se terá enamorado durante o cativeiro.

Uma terceira história funde as duas primeiras e conta que, esta rapariga que o visitava era filha do juiz mas também era alguém que ele tinha casado em segredo, e que depois de ter sido preso o visitava regularmente. Durante estas visitas Valentim ter-se-à apaixonado pela rapariga e que por força do amor lhe devolveu a visão.

O que restou deste casamenteiro
À medida que o Cristianismo se espalhava pelo território, os sucessivos Papas foram substituindo as celebrações de Juno pelas de S. Valentim, na esperança de substituir o ritual pagão, como aliás também aconteceu na festa do Halloween.

Neste caso a festa pagã acabou por levar a melhor. O dia de S. Valentim a 14 de Fevereiro deixou de ser aceite pela Igreja em 1969 e os casais enamorados continuam a utilizar rituais dignos do festival de Lupercalia, ainda que com as devidas alterações cronológicas.
No local onde Valentim foi morto o Papa João I mandou construir uma Igreja, alguns anos depois esta edificação foi recuperada e resgatada às ruínas pelo Papa Teodósio. Mais tarde veio a desaparecer completamente. Nas muralhas de Roma, a porta que hoje se chama Porta do Povo tinha antigamente o nome de Porta de S. Valentim.

Tradições e costumes por esse mundo fora:

Coreia:
Para eles o dia dos namorados é um dos dias mais importantes do ano. Neste dia cabe à mulher provar o seu amor, oferecendo ao homem chocolates!
Também é comum oferecer os chocolates a parentes e amigos, numa demonstração de respeito e carinho.

No dia 14 de Março, o White Day, é a vez dos rapazes darem chocolates e doces às suas amadas.
E como quando o sol nasce é para todos, também aqueles que não receberam qualquer chocolate no dia dos namorados ou no White Day têm um dia próprio... sim adivinharam, 14 de Abril, o Black Day.

Brasil:
No Brasil, o Dia dos Namorados é celebrado no dia 12 de junho, na véspera do dia de Santo António, o santo casamenteiro. Os casais costumam trocar presentes. Neste dia os restaurantes esgotam e as floristas não têm mãos a medir.

Portugal:
Dia 14 de Fevereiro elas e eles provam o seu amor à sua cara metade oferecendo presentes e surpresas. As floristas enchem a banca mais do que nos outros dias, os chocolates esgotam das prateleiras, e os restaurantes e os cinemas enchem.

Japão:
No Japão, a data é comemorada desde 1936 a 14 de fevereiro. Tal como na Coreia são elas que oferecem presentes ao seu par.
Neste dia, neste país, venda de chocolates representa cerca de 20% das vendas anuais de todo o arquipélago.

Estados Unidos
Os norte-americanos representam, talvez, o expoente máximo da vertente comercial do dia de São Valentim.
A grande tradição neste país é o envio de cartões às suas caras metade. Cerca de 25% de todos os cartões enviados durante o ano são cartões de São Valentim.

Itália
Na Itália comemora-se à volta da mesa com grandes banquetes feitos pelas pequenas comunidades. A troca de presentes é bastante comum.

Reino Unido
No Reino Unido, as celebrações deste dia existem desde a idade média:

 • Inglaterra – Na terra da Rainha o costume eram as crianças andarem a cantar de porta em porta vestidas de adultos.

 • País de Gales – Os apaixonados trocavam presentes como colheres de pau com corações gravados, e chaves e fechaduras simbolizando que um tinha a chave para o coração do outro.



Outras tradições existem, outras lendas se contam, outros presentes se oferecem, mas o que é importante é festejar o Amo.

Et Voilá!
Bom dia de S. Valentim! Bons namoros, bons presentes, bons jantares!

Divirtam-se!

fontes:
pequeninapoesias.com.br
junior.te.pt
gcnturismo.wordpress.com
santossanctorum.blogspot.pt
www.kpopstation.com.br

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Palavras cruzadas- Dia de Reis

No rescaldo das festividades natalicias, eis que nos chega o Dia de Reis. Este dia marca a data em que os três Reis Magos chegaram a Belém para homenagear o Menino Jesus. Na verdade pouco se sabe ao certo, eventualmente não eram três, eram mais, e provavelmente não chegaram 12 dias depois, mas  esta foi a data que se defeniu para a sua chegada.

Conta a história que os três Reis Magos seguiram uma estrela que os guiou até Jerusalém. Já em Jerusalém dirigiram-se ao Rei Herodes na tentativa de saber onde estava o Rei Menino que tinha acabado de nascer. Herodes, que não sabia do paradeiro da criança, manda os Reis Magos embora, mas não sei antes lhes pedir que o avisem quando encontraem o menino para que também ele, Herodes, lhe possa prestar homenagem.

Os Reis Magos acabam por encontrar o Menino Jesus e lhe oferecer o ouro, o incenso e a mirra, que traziam para lhe oferecer. Já na viagem de regresso têm um sonho, com um anjo, que os avisa de que não devem avisar Herodes, pois ele quer fazer mal ao Menino, por esta razão os Reis Magos mudam a sua rota e regressam às suas terras por caminhos diferentes daqueles por onde tinham vindo.

No dia 6 de Janeiro celebra-se esta vista dos Reis ao Menino Jesus.
Ao contrário do que algumas fontes referem, este dia não é feriado em toda a Europa. O dia 6 de Janeiro representa um dia de festividades importante e é celebrado no velho continente de várias formas.

Em Espanha este dia é feriado nacional, e trocam-se presentes. Itália, Finlândia e Suécia são alguns exemplos de paises europeus que têm no dia 6 de Janeiro um feriado nacional, em Portugal este dia não é feriado.

Em alguns paises, como Portugal, confeciona-se um bolo rico em frutos secos e frutas cristalizadas no qual se esconde uma fava. O conviva que "tirar" a fatia com a fava terá de pagar o bolo no ano seguinte. Este costume está aos poucos a cair em desuso em Portugal devido à proibição da inclusão da fava no bolo- imposta por regulamentos da entidade que regula a segurança alimentar.
Em alguns paises cantam-se as Janeiras porta a porta, noutros as crianças pedem moedas e recebem presentes.

Este dia assinala o "fim" do Natal e em muitas casas marca o dia em que se desmonta a árvore de Natal e se arruma o Presépio até ao ano seguinte.


Para celebrar este dia em beleza fica aqui uma roposta irrequieta, imprime as palavras cruzadas, junta a familia e diverte-te.

 E para mais tarde, a solução

Et voilá!
Feriado ou não, festejem

Divirtam-se!

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

São Bonifácio e a árvore de Natal- Histórias para ler e contar

Recentemente o mentes Irrequietas cruzou-se com a história Super-Irrequieta de São Bonifácio e como estamos a entrar no Natal esta história é quase obrigatória.

S. Bonifácio

Não se sabe ao certo em que ano S. Bonifácio nasceu, sabemos que era Inglês, de Wessex, e que terá nascido entre os anos de 672 e 680. Bonifácio foi chamado ao serviço de Deus muito cedo, entrou num mosteiro para estudar e poucos anos depois já era um professor muito popular, na altura em que foi ordenado Padre já era considerado um grande pregador, por causa do seu entusiasmo.

Bonifácio queria levar a sua Igreja a todos os cantos do mundo, e para isso tornou-se missionário na Alemanha. Enquanto missionário era eficiente e convincente, o que lhe valia frequentemente sucesso nos seus discursos.


São Bonifácio e a árvore de Natal

Bonifácio, que andava em missão pela Alemanha, onde era chamado Arcebispo de Mainz, dedicou grande parte da sua via a destruir Templos e ídolos pagãos e a construir Igrejas no seu lugar.

Conta-se que nesta missão passou por um grupo de pessoas que adoravam um carvalho. Diz a lenda que horrorizado pelo que viu pegou num machado e deitou a árvore abaixo, dizendo que era uma demonstração do poder do seu Deus sobre o Deus pagão que adoravam (Deus Thor, o carvalho era considerada uma árvore sagrada para os que idolatravam Thor). Certo é que o carvalho foi mesmo derrubado e, conta a lenda, que Bonifácio converteu quase todos os pagãos que ali estavam naquele momento.

Neste ponto a lenda diverge em duas histórias, uns dizem que no lugar do carvalho nasceu espontâneamente um abeto, outros dizem  que Bonifácio plantou um abeto no lugar do carvalho.

Porquê um abeto? 

Porque o abeto era visto como uma "imagem de Deus" e o seu aspecto sempre verde (folha persistente) simbolizava, naquela altura o Amor infinito do Criador.
De acordo com o mito, no ano seguinte todos os pagãos daquela zona foram convertidos ao Cristianismo e penduravam decorações na árvore para celebrar o Solstício de Inverno.

Mas como é que o abeto cresceu o suficiente num ano para poder ser decorado?

Ninguém sabe ao certo, é isso que faz os mitos e as lendas parecerem magia,o que sabemos é que essa tradição cresceu o suficiente para nos dias de hoje estar espalhada pelos quatro cantos do Globo!

Será correcto dizer que S Bonifácio inventou a árvore de Natal?

Não. A Origem da árvore de Natal perde-se nos confins do tempo, mas parece ter tido origem em rituais Pré-Cristãos envolvendo árvores de folha persistente. Estes, com o tempo, fundiram-se com as celebrações Cristãs.

Martin Luther e as estrelas

Outro nome que aparece frequentemente ligado à árvore de Natal é o de Martin Luther. Este clérigo, banido da Igreja Católica, é conhecido por ser o responsável pela existência de luzes/velas nas árvores de Natal. Martin costumava passear-se por florestas enquanto pensava na sua vocação e as luzinhas de Natal representam as estrelas que via por entre as folhagens das árvores


E finalmente virou moda

Mas apesar de todas estas histórias terá sido Alberto, o Príncipe Consorte da Rainha Victoria, o responsável pela introdução maciça da decoração das árvores de Natal. Este elemento da realeza terá trazido, em meados do SEC XIX, este costume da sua terra natal Saxe Coburg, que agora é parte integrante da Alemanha. Tal exemplo, vindo de tão grandiosa família, terá virado moda.

Referências:
http://www.bbc.co.uk
http://www.saintboniface.org

Et Voilá!
S. Bonifácio, Martin Luther, SAR Alberto, Príncipe Consorte... decerto haverá mais mitos e lendas à volta do abeto de Natal

Divirtam-se!

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Halloween- Mitos e superstições

Temos vindo a falar sobre o Halloween, também conhecido como Samhain. Esta festa com origens na  Irlanda (com os Celtas) terá sido levada para os Estados Unidos quando, na primeira metade do sec. XIX, os Irlandeses chegaram massivamente ao continente americano. Este europeus levaram consigo uma tradição muito antiga que com o passar do tempo ganhou dimensão planetária, ainda que continue a não ter muita força em alguns países, como Portugal.
Mas falar de uma festa destas sem falar em superstições é quase como falar do Natal sem falar no velhote de gorro vermelho, por esta razão deixamos aqui a todos os irrequietos algumas superstições desta data.

  • Existem morcegos a voar junto à tua casa? hummm Pode significar uma de duas coisas, alguns acreditam que significa que existem fantasmas por perto. Outros, esperemos que menos, acreditam que significa que alguém irá morrer brevemente.
  • Tocar sinos ou campainhas afasta os espíritos, esta superstição vem desde a idade média mas anda hoje está bastante enraizada na sociedade.
  • Acendeste uma vela e ela apagou sem razão aparentemente? Apagou num local sem correntes de ar? A razão para esse facto é a presença de um fantasma no local.
  • Ainda nas velas. No País de Gales acredita-se que se a cor da chama da vela mudar de repente para azul...  existe um fantasma... muito perto.
  • Nem todas as superstições são maléficas, se tiveres uma aranha no quarto na noite de Halloweeen, isto significa que alguém que te ama e já partiu está a proteger-te. Esta crença é de origem europeia, e até é bastante amigável.
  • Por outro lado, se a mesma aranha for consumida pela chama de uma vela... existe uma bruxa por perto. 
  • Não são só os gatos pretos que dão azar. Os gatos brancos são sinal de azar e muitos acreditam que ver um gato branco significa que os espíritos malévolo andam por perto. Por seu lado, o gato preto é tão mau quanto a sua fama apregoa, ver um gato preto na noite de Halloween significa que qualquer coisa má se aproxima. O gato preto é também vulgarmente parceiro de bruxas e companheiro de figuras assustadoras
  • Uma boa notícia é que alguns acreditam que quem nasceu no dia de Halloween tem poderes especiais para afastar os espíritos maus .
  • Os Celtas acreditavam que quem projectar a própria sombra ao luar será amaldiçoado com azar ou mesmo com morte.

Fontes:
http://www.livescience.com/
http://voices.yahoo.com/7-halloween-superstitions-dont-really-want-to-578282.html?cat=34

Et voilá!
Scary!!

Divirtam-se!

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Halloween versus Dia de todos os Santos


O Halloween tem origem na cultura Celta. Há cerca de 2000, na zona do globo onde hoje existe a Irlanda, os Celtas festejavam o Samhain, esta festa tinha lugar no dia 1 de Novembro e marcava o início do inverno, o início do ano e a data da última colheita do ano. Acreditava-se que, nesta data, os mortos do ano que findava tinham a sua última e derradeira oportunidade de voltar ao reino dos vivos.

Neste festival as pessoas reuniam-se, acendiam fogueiras e ofereciam sacrifícios aos falecidos, acreditando que isso afastaria os seus fantasmas. Para além disso vestiam-se com roupas feitas com peles de animais e punham mesas fartas em comida. Com o passar do tempo, a evolução e a generalização do festival, as pessoas começaram a vestir-se de fantasmas, bruxas e outras criaturas conhecidas por serem malévolas, e assim vestidas começaram a exigir comida e bebida a outras pessoas. Pensa-se que terá sido esta a origem do famoso costume do "trick-or-treat" que actualmente existe em vários países.

Na igreja católica o dia 1 de Novembro festeja o dia de "Todos os Santos", no México, por exemplo, festeja-se o dia de "los Muertos" (dia dos mortos). É muito comum neste dia as pessoas deslocarem-se aos cemitérios com o objectivo de honrar os seus mortos, chegando mesmo a ser este o único dia em que algumas pessoas se deslocam a estes locais.

Como se transformou o Samhain no dia de Todos os Santos?
Na realidade não se transformou. As pessoas continuam a festejar esta data na noite de 31 de Outubro para 1 de Novembro, ainda que com rituais adaptados aos dias de hoje.
O dia de Todos os Santos surge numa tentativa da igreja Católica anular as festividades pagãs do povo Celta. Esta tentativa, apesar de ter sido brilhante (segundo alguns estudiosos), não teve o impacto desejado, e a reunião das famílias à volta da mesa como o objectivo de honrar os Santos nunca conseguiu substituir, com o sucesso desejado, os festejos pagãos do Samhain.
Nos dias de hoje o que temos é uma espécie de fusão entre as duas festas- o Hallowe'en e o All Hallows, ou seja o Halloween e o Dia de todos os Santos (Hollow tem as suas raízes na palavra holy ou santificado). Assim festeja-se a versão actual do Samhain na noite de 31 de Outubro para 1 de Novembro, e o Dia de todos os Santos no dia 1 de Novembro, sendo o objectivo das duas datas exactamente o mesmo, honrar e sossegar os mortos.

Fontes:
http://www.history.com
http://ancienthistory.about.com

Et voilá!
Trick-or-treat?

Divirtam-se!

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Dreamcacher- História e significado

Existem muitos objectos na nossa vida quotidiana que têm um significado especial, para além daquele que lhe damos inicialmente. Alguns destes objectos pertencem a culturas diferentes e vivem connosco sem que saibamos exactamente o que são.

Um desses objectos é o "dreamcatcher" ou em português "caçador de sonhos".

Existem várias histórias, que variam de tribo para tribo, sobre este objecto mas todas parecem concordar numa coisa, este objecto quando pendurado sob a o local onde se dorme protege quem aí descansa.

Uma das histórias conta que:

Há muito tempo atrás, um ancião índio teve uma visão enquanto se encontrava no cimo de uma montanha. Nessa visão, Iktomi, um grande sábio, apareceu ao ancião sob a forma de aranha.

Iktomi começou a falar, em língua sagrada, com o índio sobre o significado da vida, ao mesmo tempo que lhe tirou o colar (em forma de arco) de salgueiro que trazia ao pescoço. Este colar era feito com penas, crina de cavalo, miçangas e outras oferendas. Enquanto falava começou a tecer uma teia com o colar.

Iktomi falou sobre os ciclos da vida, da forma como todos nós começamos por ser crianças, da obrigatoriedade de passar pela infância para chegar à idade adulta. Enquanto falava ia tecendo.

A aranha falou ainda sobre a terceira idade, referindo-se a ela como o encerrar do ciclo, aquela altura em que voltamos a ser crianças. Enquanto falava ia tecendo.

Iktomi foi falando sobre os diversos momentos da vida, das forças que neles actuam, umas boas, outras más. Explicou a necessidade que existe em saber ouvir as forças do bem para conseguirmos orientar as nossas decisões no sentido certo, e que, se por acaso, ouvirmos as forças do mal e as deixarmos orientar o caminho, vamos acabar por nos magoar. Enquanto falava ia tecendo.

Finalmente conclui: Essas forças podem ajudar-nos na caminhada ou interferir com a harmonia da Natureza.

Quando terminou de falar ofereceu ao ancião a teia que tinha tecido, e disse-lhe:
Esta teia é um círculo perfeito com um buraco no centro. Usa-a para ajudar o teu povo a alcançar os seus objectivos, fazendo bom uso das suas ideias, sonhos e visões. Se acreditares a rede vai filtrar as tuas boas ideias e as más ficarão presas e não passarão.

Conta-se que este ancião passou a história ao seu povo, e que é por isso que muitos povos indígenas da América do Norte têm um dreamcatcher por cima das suas camas.

Acreditam que esta teia filtra os bons pensamentos, visões e sonhos deixando-os passar, mas que as más energias (pensamentos, sonhos e visões) são capturadas na rede e perecem ao raiar do dia.

Este é então um objecto indígena de grande valor espiritual e cheio de significado.
Os primeiros dreamcatchers chamavam-se arcos sagrados e eram tecidos pelas mãos dos pais para proteger os sonhos dos recém-nascidos não permitindo que a sua inocência fosse "ferida" durante a noite.
A título de curiosidade, as penas que fazem parte do dreamcatcher são colocadas lá para facilitar o voo dos sonhos bons pelo orifício da rede.
Hoje em dia este objecto é usado em muitas peças como brincos, quadros, colares e outras peças de decoração tendo passado a ser mais um objecto decorativo do que um símbolo da sabedoria e cultura nativo-americana.
Quando comprarem um certifiquem-se que ele é um circulo perfeito e que a rede tem um buraco no meio, pendurem-no no quarto e bons sonhos!

Referências:
http://www.wisegeek.com/; http://www.dream-catchers.org; http://healing.about.com/cs/native/a/dreamcatcher.htm

Et voilá!
"Zona livre de maus pensamentos"

Divirtam-se!

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Algarismo suplementar do Bilhete de Identidade- Afinal o que é?

Cada bilhete de identidade, em Portugal, tem um algarismo à direita do número de identificação. Este número apareceu nos documentos de identificação nacionais pouco antes do ano 2000, e parece levantar, ainda hoje que o bilhete de identidade já foi substituído por outro documento, algumas dúvidas. 

Apesar de estar na categoria de "Respostas ao leitor" este artigo não é a resposta a nenhum leitor em especial, mas sim o esclarecimento a vários leitores que continuam a alimentar esta lenda urbana "genuinamente portuguesa".

Mas afinal o que é este número?
Jorge Buescu, licenciado em Física pela FCL, Doutorado em Matemática pela Universidade de Warwick e professor de Matemática no IST (1), no seu livro "O mistério do bilhete de identidade e outras histórias", explica este número de uma forma bastante simples.

Impõe-se esclarecer que:
Este algarismo não é o número de pessoas exactamente com o mesmo nome. E para o provar basta pensarmos um pouco sobre o seguinte: este número é sempre um algarismo, ou seja, vai de 0 a 9, se há 9 pessoas com o nome do meu vizinho do 1ºdir, porque é que não podem haver 10, 11 ou mesmo 12 pessoas com o nome exactamente igual ao do meu vizinho do 5º andar?

Então afinal o que é este algarismo misterioso? 
Jorge Buescu, no mesmo livro, começa por explicar que, "O algarismo suplementar é (ou seria, se as autoridades portuguesas não tivessem cometido um patético erro matemático!) apenas um algarismo de controle que detecta se o número do BI está correctamente escrito ou não",  e explica que quando o ser humano é colocado perante uma situação em que tem de lidar com muitos números com muitos algarismos que, de forma nenhuma, seguem um padrão, o mais provável é cometerem-se erros que podem custar milhões, imaginemos por exemplo um operador de caixa sem leitor de código de barras.
"...cobrar 20 contos por um pacote de manteiga..." seria impensável.

Então, este algarismo, se não fosse o tal erro apontado por Buescu, serviria para detectar se o número de BI digitado na base de dados continha ou não erros. Este sistema não é único do Bilhete de Identidade, existem outras aplicações para estes "dígitos detectores" como os cartões de crédito, a Via Verde, os ISSN das publicações periodicas,os ISBN dos livros, enfim, são muitos os casos em que este sistema é aplicado pois existe a necessidade de confirmar a sequência de números.

Então como funciona?
Buescu utiliza o ISBN dos livros com exemplo.
Este número costuma aparecer junto ao código de barras do livro, é constiuido por 10 algarismos e é único para aquele livro, em qualquer parte do mundo. O ISBN do livro "O mistério do bilhete de identidade e outras histórias" de Jorge Buescu, Edições Gradiva e da Ciência Aberta, é 972-662-792-3.
Para confirmar se esta sequência está correcta, o que o computador faz é um cálculo matemático que consiste na aplicação da seguinte formula:

x1+2x2+3x3+ … +10x10

em que o ISBN é:

x1x2x3x4x5x6x7x8x9x10

O resultado deste cálculo, explica o autor, é divisível por 11.
Façamos o teste:
ISBN:  972-662-792-3
(1x9+2x7+3x2+4x6+5x6+6x2+7x7+8x9+9x2+10x3)/11=
(9+14+6+24+30+12+49+72+18+30)/11=
264/11=
24
Dirão alguns leitores mais irrequietos que há ISBN's que no último dígito do número têm um X, esse X existe porque, pela natureza do algoritmo utilizado, é necessário garantir que o número de controlo possa ser também 10, e como tem mais que um dígito coloca-se um X, à semelhança da numeração romana. (2)

Podemos fazer o teste para os nossos números de BI, com uma ligeira alteração, o número deve ser lido da direita para a esquerda, ou seja o dígito de controlo é que tem valor 1, como na imagem:
Verificaremos que isto é verdade pelo menos para 10/11 do total dos BI's.
10/11? porquê? não é verdade para todos os números?
Como já dissemos acima Buesco refere um "patético erro matemático". Esse erro é, nem mais nem menos, a anulação deste valor 10, o Ministério da Justiça, entidade responsável pela emissão dos BI's, substituiu a utilização do valor 10 (X) pelo 0, ou seja, cerca de metade dos BI's com número de controlo 0 são na realidade 10. Se o vosso número de controlo for diferente de 0 a fórmula funciona, se for igual a 0 tentem o cálculo com os dois valores, um deles está correcto, e assim ficam a saber se o vosso algarismo de controlo devia ser uma letra.



Fontes:
(1) Buescu, Jorge. "O mistério do bilhete de identidade e outras histórias", Lisboa, Gradiva- Pulicações Lda, 2ºed 2001
(2) motivate.maths.org/content/Calculator-fun/follow-project-suggestions 


Et voilá!
Não acreditem em tudo o que vos dizem


Divirtam-se!

Dê uma olhadela

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...